Querido diário,

cheguei na Bahia no dia 5 de julho, fui direto pra casa de Thais, Praia do Flamengo. Foi uma tarde de chuva umidade matando a saudades colocando em dia as novidades.

Foram muitos assuntos que não cabem aqui. Vou me focar apenas num ponto:

– Ah, Tai, dificilmente eu tenho um segundo encontro. Rei, na real eu não tenho segundo encontro.

– Bicha, este deveria ser o título do teu próximo conto: Eu não tenho segundo encontro.

– Verdade, né? Ah rei, não sei se tenho coragem de escrever isso. É expor demais uma vulnerabilidade que não sei…

– Olha, mas tem que falar disso. Acho que várias meninas vão se identificar. O título tá ótimo: eu não tenho segundo encontro. 

Ela soltou sua baforada de tabaco. Eu apertei mais um beck e seguimos conversando na sua suspensa varanda babilônica. 

– Olha Thais, o que me consola é que Jessica Jones também não tem segundo encontro. 

Risos.

– É sério, rei! Eu comecei a ver a série dela e ela diz bem isso: eu não tenho segundo encontro. Na mesma hora falei: amiga, te entendo muito. Tamo junta.

Risos. 

Passou um mês e ainda estou na Bahia. Resolvi adiar a minha volta, aproveitar pra ficar mais com Mariaalice e fugir do frio intenso do Sul. E neste tempo que estou aqui, tenho me ocupado muito com Mariaalice e trabalho. E alguns momentos especiais com amigos queridos. Toda esta ocupação tem sido muito nutritiva.  

Consigo ter uma rotina com Mariaalice de muito bem estar. O mesmo acontece quando estou só. Eu tenho muito prazer de ser só. Mas, antes de vir à Bahia, eu me sentia afogada na solidão na sonífera ilha. 

Sei que isso se deve muito a saudade incessante que sinto por Mariaalice. A saudade que sinto dos amigos. A saudade que sinto da Bahia. Aqui o calor e o amor me esquentam. 

Trago essa reflexão, querido diário, pra dizer que por um tempo não tenho sentido falta de sexo. Até porque, sexo por sexo, de verdade não me tem sido suficiente. 

Por um tempo foi o que eu quis. Apenas sexo. Mas, bem que eu quis depois de tudo ainda ser feliz. Minha sede é muito maior. Faz tempo que desinstalei todos os aplicativos, apaguei todos contatos de caras que transei e me decepcionei, deixei de seguir todos aqueles que só te dão like and comments quando querem te comer.

Eu não sou uma mulher de negócios. E talvez seja por isso que eu não tenha segundos encontros. 

E sinceramente, querido diário, eu tô me sentindo bem. Eu sou romântica. Mas, eu sei ser Só. E encontro muito conforto nisso e isso não significa que ser só basta e é suficiente, mas sim que me prezo muito e não abro mão do meu bem estar. 

Não sei também se é possível viver uma relação sem as questões de gêneros atravessadas e eu, por tudo que já vivi, por tudo que já me sacrifiquei, por tudo que já perdi, não me vejo com tempo e paciência para discussões que pra mim já estão ultrapassadas. 

Isso de ser só me faz urgente ser sol.

São Félix, 05 de agosto de 21

22h32

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