Querido diário,

estou bem, ufa. Comprei um balcão com pia para a cozinha. Um ventilador. Uns utensílios básicos para a cozinha. Terminei de pagar todas as contas do livro Para Maria Alice. Ufa.

Se eu tivesse vinte e poucos anos viajaria, mas eu tenho trinta e muitos, sou adulta, mãe, pago contas, quito dívidas e compro coisas pra casa. E fico feliz. Risos. Real, vida adulta é muito isso: uma casa confortável, contas pagas.

Estou desempregada e sem bolsa de mestrado. Estou contando com ajuda da minha mãe, que com a pensão de meu pai está me apoiando. E ainda tem alguns freelas. Por enquanto está dando pra segurar a onda.

<eu não preciso de muito dinheiro, graças a deus>!

Estava pensando o quanto já me lamentei aqui, querido diário. E foi tudo sincero e verdade, tu sabe. Então, tô aqui pra dizer que estou me sentindo bem.

Durante muito tempo eu imaginei essa vida que estou levando. Eu apenas queria morar numa casinha simples na montanha no mato, ser escritora e intelectual, ficar fumando maconha tomando lsd comendo frutas e raízes com my sound soul system, Mariaalice brincando, borboletas pousando, cigarras cantando, assim, bem de boa.  Imaginei isso por muito tempo e cheguei a pensar que seria impossível. Que sozinha eu nunca ia conseguir. Mas, quis construir isso sozinha. E tô construindo. Não acabei, até porque só acaba quando termina. E não está sendo sorte, ah mas não mesmo. Eu sei o quanto já comi do pão que o diabo amassou. Mas, nem tô afim de falar disso.

(Mariaalice está lendo Turma da Mônica, Vick fuma e pinta, Eu fumo e escrevo. Toca Pink Floyd, o disco Obscured by Clouds. Uns dos meus preferidos. Está tocando Stay, lembro dele, rio para não a-mar. Estou bem).

Assinei contrato com a Editora: Moluscomix. Tô feliz pra caralho. Fizemos uma live no instagram do Molusco no dia 02/02/2021, dia de Yemanjá e por aqui na ilha da magia o dia raiou, tudo azul muito verde tudo blue tudo flui. A live travou nos primeiros dez minutos, depois fluiu a conversa e foi massa pra caralho. Li dois textos e curti muito o papo. Tô muito empolgada de saber que o Diário de uma Mãeconheira vai virar livro e muito em breve ele estará aí na pista.

<Me segura que eu vou dar um troço>!

Pausa para bolar outro Beck enquanto termino a ponta. Na sequência tem outro disco do Pink Floyd que curto pra caralho, Meddle, aí lembro de um certo jovem, já nem tão jovem assim, leonino. Uma boa pessoa, mas um pouco besta. Na real, pensando bem, quase todos os crushs são bestas.

<Besta é tu>.

Pensei que todas as historinhas acabaram de forma inacabadas, chatas, etc., na maioria dos casos os caras nunca mais falam comigo, não conseguiram assumir sustentar seus desejos e não-desejos, bancar de fato uma amizade, deixar de fato uma relação acontecer. Ok, não me venham falar de padrões, de repetições, o que eu tenho que aprender/mudar com isso, que o patriarcado, questão de gênero, aff, não aguento mais gente. Risos. Risos de nervoso, é bom pontuar.

Bruna Rocha postou no seu instagram algo sobre amizade. <Amizade é coisa séria>. Sim. Quando o cara diz: vamos ser amigos, isso nunca rola (antes houvesse rola, mas tá osso). Primeiro, que amizade acontece na presença, no cuidado, na reciprocidade, com atenção, carinho.

ATENÇÃO NA INTENÇÃO!

Que amizade é essa que só é possível de acontecer virtualmente?

As pessoas não estão dispostas para a relação acontecer. Eu tô cansada pra caraleo, de conhecer um cara legal, transar uma ou duas vezes e ser legal, gozar e tals, mas nada se desenvolver. E quando falo de se desenvolver eu nunca tô falando de namorar casar etc. Tô falando de deixar a relação acontecer, que pode ser inclusive amizade. Pode transformar em amizade, em namoro, em amigos que ficam, em qualquer porra, desde que haja espaço, disposição para que a relação aconteça. É preciso se envolver para se desenvolver. Mas, geral acha que pode se desenvolver sozinho, porque estão confundindo autonomia com solidão e autossuficiência.

Para desenvolver tem que envolver.

Acontece que geral mal sabe identificar e assumir seus sentimentos. O medo de errar, fracassar, não permite. Rei, na moral, tá foda, pra quem têm um coração cheio de amor e vontade viver.

<Me segura que eu vou dar um troço>!

É o que venho cantando desde o carnaval de 2017, o último carnaval que de fato vivi, aliás, saudades: meu coração bate mais que a polícia e apanha mais que bandido.

Ai coração, tá batendo, mas deixa eu te contar, querido diário: consultei todos os oráculos e a bruxa confirmou: acabou.

Foi uma onda. Porque logo em seguida fiquei muito frustrada e chateada ao saber que o livro Para meu amor com H: rascunhos para uma epopeia, não será pulicado por agora. Todo o processo deste livro e da história deste livro têm me tomado muita energia tempo, têm sido intenso e tenso.

<Não foi desta vez, mas pode ter certeza. Mal posso esperar> eu já saí da tristeza. Eu quase choro. Eu quase fico com raiva. Mas, respirei e não pirei. Genteeee, tô adulta mesmoooooo. Risos. Agora um riso tranquilo e pleno.

<Tomo um café com guaraná pra me animar. Mas, ficou tão tarde que é melhor deixar pra lá>.

Segurei a onda e pensei: o livro vai ser adiado, vou deixar guardado na gaveta. Eu vou aceitar o não. O fim. Acabou.

<I love you. I leave you. Alívio>.

The end. Eu não kiss assim, mas quando um não quer dois não amam. Daí tô aproveitando logo a força da lua minguante e apagando da minha agenda todos os contatos sexuais, deixando apenas os pessoais e profissionais.

Consegui entregar um capítulo sobre a história da Poesia Marginal para o livro de história da UFRB. Tô focada no mestrado. O livro Diário de uma mãeconheira tá no forno. E agora vou produzir mais dois. Tô a full.

Ando praticando coisas novas: colando, desenhando, plantando.

Ontem, com ajuda da vizinha que é paraense e bióloga, construímos nossa horta. Eu estava me sentindo muito bem com toda essa vida que estou levando, com minha rotina, com o mestrado, livros, com Mariaalice, etc. Eu já estava pronta pra vir escrever no diário quando Mariaalice disse que iria desenhar com os novos lápis de cores que nos comprei. Resolvi desenhar um pouco com ela. E eu desenhei por quatro horas. Comecei com um tronco de árvore, cheias de folhas bem verdes e com um sol formando uma cabeça. Terras. Gotas. Flores. Mandalas. Borboletas. Sementes. Água. O desenho ficou muito colorido e bonito e fiquei super contente de tê-lo feito, por tanta horas, com tantas cores e detalhes.

Quando olhei o desenho, pude interpretar naquela imagem que eu mesma criei, tudo que estou vivendo e sentindo agora. Foi um processo criativo e curativo, que sempre faço com a Escrita de Si, desta vez foi com o Desenho de Si. Adorei. Penso em fazer mais. Desenhar e colar mais. Plantar mais. Manter a rotina, inclusive estou há uma semana sem fazer exercícios, tá errado isso, e vou mudar.

Confesso que estive uns dias que me senti cansada. Indo dormir de madrugada, porque produzo melhor enquanto Mariaalice dorme e já não há nenhuma pendência doméstica, e acordando cedo. Resultado: por duas tardes eu simplesmente não aguentei de sono e dormi. Nunca faço isso. “Descansei” dois dias, apenas lendo e fazendo anotações leves. Agora preciso voltar a acelerar porque dia 15 próximo tenho que entregar um ensaio pra disciplina do mestrado. Puta merda! Lembrei agora que ainda falta uma atividade também para fazer da faculdade de pedagogia. Aff. Parei de ler o livro Fisgadas, de Angélica Glória. Tá muito chato pra mim, mas irei terminar de ler, porque ainda que eu demore, termino tudo que começo. Eu vou até o fim pra ter certeza, pra confirmar. Mas, prometi a mim mesma que depois deste vou voltar a ler os velhos e bons clássicos até porque preciso me nutrir para produzir.

Eu tô bem quieta aqui no meu canto de boa na lagoa. E estou gostando de ficar quieta, estou me acostu-amando cada dia mais. Tenho na gaveta maconha lsd cogumelos e uns livros. Vai dar bom. Tá tudo organizado. Estou operando o tempo colando, desenhando, escrevendo, plantando, trabalhando. Estou operando o tempo no gerúndio. Porque está tudo aconte-sendo. Nada está parado, até porque:

<eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar eu não posso ficar aí parada>.

No meu som toca agora: i wish you were here. No meu coração toca: foda-se. Risos. Um riso tranquilo, suave, plena. Risos. Boa noite terráqueos. Besos, quesos y miel.

p.s. putaquepariu! Que lua galera, brilhandooooooooooo bem na lagoa, coisa mar linda, eu tomando chá de camomila, fumando beck, ouvindo Pink Floyd no volume máximo admirando a lua, filha dorme na paz de jah, ai gente, é este meu conto de fadas que estou vivendo.

<quem foi que disse que é impossível ser feliz sozinho? Vivo tranquila a liberdade é quem me faz carinho> ainda que todo dia eu siga <pensando em casar, juntar as rimas como pobre popular. Subir na vida com você no meu altar> vivo escrevendo só pra te en-cantar.

Floripa, 5 de fevereiro de 21

00h55

2+

2 comentários em “The end”

  1. Avatar

    Uhuuuuuu, já quero ler essa produção ! Feliz demais por vc, pela energia, pelos encantos e desencantos de cada vida louca que escolhemos trilhar! Saudades mana!

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    1. aldeiadosaber

      ai mana, sinto daqui sua felicidade e seu apoio e daqui tbm estou feliz pelos teus novos caminhos e já já a gente se encontra com as nossas meinas crias e produções. te amo!

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